Etiqueta de negócios na China: 7 erros que brasileiros cometem
Cartão de visita, hierarquia, o “não” direto, brindes e presentes: 7 erros comuns de brasileiros em negócios com chineses e como evitá-los.
Brasileiros e chineses costumam se dar bem: as duas culturas valorizam relacionamento, refeições juntos e confiança pessoal. Mas alguns hábitos brasileiros, normais aqui, podem causar desconforto numa reunião com chineses. Estes são os sete mais comuns.
1. Ir direto ao assunto
No Brasil, depois de um cafezinho, já se fala de preço. Na China, a primeira reunião costuma servir para conhecer as pessoas. O relacionamento (关系, guānxi) vem antes do negócio. Pressa para fechar pode ser lida como falta de interesse na parceria.
2. Tratar o cartão de visita como um papel qualquer
O cartão (名片, míngpiàn) representa a pessoa. Entregue e receba com as duas mãos, com o texto virado para quem recebe. Leia o cartão por alguns segundos e deixe-o sobre a mesa durante a reunião. Escrever nele ou guardá-lo no bolso de trás da calça é falta de respeito.
3. Ignorar a hierarquia
Cumprimente primeiro a pessoa de cargo mais alto, deixe que ela se sente primeiro e dirija a ela as falas principais. Na delegação brasileira, também convém deixar claro quem é o chefe: os chineses procuram o interlocutor do mesmo nível.
4. Dizer “não” de forma direta
Contrariar alguém na frente dos outros faz a pessoa “perder a face” (丢面子, diū miànzi), e isso pesa muito. Prefira “vamos estudar”, “vamos conversar mais sobre isso”. Da mesma forma, um “talvez” ou um “vamos ver” do lado chinês muitas vezes significa não.
5. Errar no brinde
Nos jantares de negócios, os brindes são frequentes e têm regras. Espere o anfitrião começar. Ao brindar com alguém mais importante, mantenha o seu copo um pouco mais baixo que o dele, em sinal de respeito. Quem não bebe álcool pode brindar com chá ou suco, sem problema: basta avisar com educação.
6. Escolher o presente errado
Presentes são bem-vindos, de preferência algo típico do Brasil e de boa qualidade. Mas evite relógios (em chinês, “dar um relógio” soa como “acompanhar alguém até a morte”), objetos cortantes e conjuntos de quatro itens (o número 4 soa como “morte”). Ofereça com as duas mãos e não estranhe se o presente não for aberto na sua frente.
7. Confiar só no inglês
Muitos executivos chineses falam inglês, mas as decisões e as conversas mais sinceras acontecem em mandarim. Algumas frases bem pronunciadas mostram respeito, e um bom intérprete garante que nada se perca, inclusive o que é dito nas entrelinhas.
O Professor Zheng é intérprete de mandarim–português, já recebeu delegações chinesas e acompanha empresários em reuniões, visitas e delegações. Se a sua empresa vai receber chineses ou viajar para a China, ele pode ajudar tanto com a interpretação quanto com uma preparação rápida da equipe.